14 jul 2014

PF Palette – A Copa na visão do estrangeiro

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Parece inacreditável mas a Copa já acabou. Ficamos o último ano só falando e ouvindo desse assunto em todos os lugares do mundo, mas especialmente no Brasil. Ainda sou capaz de lembrar da quantidade de frases que terminava com a famosa “imagina na Copa”.

Nós que somos brasileiros (e eu me incluo porque continuo pagando impostos no país e continuo tendo família morando lá), sabemos o quão difícil se tornou a vida da nossa gente desde quando a Copa se tornou uma prioridade. Parece que tudo aquilo que era feito por debaixo dos panos e que somente um ou outro notava – ou que todos notavam mas eram capazes de suportar – passou a ser feito escancaradamente, bem debaixo do nosso nariz e a ser intolerável. É claro que isso tudo gerou muita revolta (o que é totalmente aceitável e compreensível), a descrença de que daria certo e até uma vergonha de abrir a casa para receber pessoas que dariam de cara com a bagunça que a gente vive e ninguém que abre a casa quer passar por isso.

Infelizmente eu não pude ir à Copa sediada pelo meu país mas eu escutei tudo o que meus amigos estrangeiros, não apenas do Chile mas de outros países, me deram de feedback na sua rápida estadia pelo país e confesso que me emocionei.

Os meus amigos equatorianos ficaram impressionados com a alegria do brasileiro, com o ótimo atendimento dos estabelecimentos comerciais, com o fato de que sempre tinha alguém disposto a ajudar e sorrindo, sendo 2 da tarde ou 2 da manhã.

Os meus amigos chilenos ficaram sem palavras para a beleza das praias, para as paisagens tropicais e para o sol que insistia em aparecer, mesmo quando o calendário dizia que era um mês de inverno. Ficaram ainda mais impressionados com a preocupação das pessoas em doar agasalhos aos moradores de rua, mesmo quando a temperatura era 15 graus. Para eles isso significou se importar com o outro antes mesmo que o pior “inverno brasileiro” começasse.

Os meus amigos colombianos ficaram impressionados com a disposição do brasileiro em ajudar, em dar dicas do seu país, em ensinar como se chegava a tal lugar, aonde comer bem, aonde se divertir e até com o fato de dedicarem alguns minutos conversando com estranhos como se fossem amigos; parecendo esquecer do perigo que isso representa.

Os meus amigos da Espanha ficaram comovidos com a nossa facilidade de relacionamento, de abraçar um desconhecido, de brincar com uma criança estrangeira, de apertar a mão do outro desejando sorte.

Os meus amigos do Marrocos ainda não sabem explicar como podemos dançar samba, funk, pagode, axé, eletrônica, forró, rock e etc, com a ginga de quem domina bem cada ritmo. Também não sabem explicar como conseguimos fazer tudo funcionar na Copa, em tão pouco tempo. (Devo confessar que esse feedback me impressionou. Ao que parece, a “bagunça” da casa não deu tempo de ser percebida, ou de pelo menos de incomodar, os nossos hóspedes).

Os meus amigos peruanos ficaram sem palavras com a atitude de uma família brasileira que devolveu intacta a carteira cheia de dinheiro que eles perderam dentro do estádio, que ainda tinha um ingresso para o jogo do Chile X Brasil.

Esses são alguns dos feedbacks que recebi e que me deixaram muito orgulhosa e cheia de aprendizados, que eu gostaria de dividir com vocês.

brasil

O primeiro deles é que nenhuma visita sabe exatamente o que está bagunçado em uma casa, a não ser o dono. O turista não fica no país o tempo necessário para descobrir os problemas sociais que existem nele, ele fica o tempo suficiente para ver o que temos de melhor e quando ele compra uma passagem aérea, é só isso o que ele pretende descobrir. Eu aprendi isso com a Copa e aprendi com os meus leitores, que voltam do Chile me dizendo as melhores coisas desse país que eu também amo, mas que como todos, também possui as suas desigualdades. Esse aprendizado me remete a outro: não devo me envergonhar da minha casa, que ainda que seja cheia de problemas, sempre vai ter algo positivo para oferecer e ensinar.

O segundo aprendizado é que o melhor de um país continua sendo as pessoas e eu nunca tive dúvidas de que o melhor do Brasil é o brasileiro, por mais que as atitudes de alguns nos façam desacreditar dessa premissa. Até hoje eu só morei no Chile mas já tive a chance de conhecer outros países e o Chile também está repleto de estrangeiros, mas posso afirmar sem medo de errar, que mesmo com o seu “jeitinho” tão conhecido e tão condenado em muitos momentos, o brasileiro ainda é aquela pessoa de garra, de alegria, de sorriso no rosto, batalhadora, carismática, sem preguiça pra trabalhar, criativa, generosa e confiante. Acredite: muitas culturas não possuem esses componentes em seu DNA e eles fazem diferença.

O terceiro aprendizado é que a nossa consciência mudou. Ela cresceu, ela se expandiu e toda mente que cresce jamais volta a ter o mesmo tamanho. Isso quer dizer que antes e durante a Copa, e apesar de toda a festa, jamais deixamos de ser transparentes e de falar daquilo que nos incomoda como habitantes do Brasil e de tudo aquilo que está errado no nosso país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza.

O quarto aprendizado é que o povo brasileiro já sofreu tanto que desaprendeu a ver o melhor que tem e a se quer achar que tem algo bom nas suas terras e na sua gente. E é triste que quem está de fora veja o que não conseguimos ver. Temos muito a melhorar mas temos coisas boas e excelentes. Aprendamos a reconhecer e deixemos de lado o pensamento de que a grama do vizinho é sempre, em todos os quesitos, melhor que a nossa.

É, a Copa acabou, e de tudo o que vi e ouvi, duas coisas eu não quero esquecer: a principal é que outubro está chegando e esse é o momento da grande virada brasileira, o momento de dar alegria ao nosso povo, que como bem disse David Luiz, tanto preciso se alegrar. E a segunda coisa que eu não posso e não quero que vocês se esqueçam, é que nem só de boas qualidades se faz um grande país mas que elas são fundamentais, afinal, muitos países desenvolvidos já esqueceram o que é ser um humano de verdade e ver que eles reconhecem isso em nós, é de encher os olhos de lágrimas, o peito de orgulho e a vida de felicidade.

Te amo, Brasil! Estarei com você em outubro pra fazer a minha parte. Me ajude nisso você também.

 

 

Fê La Salye
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Comentários
4 comentários em "PF Palette – A Copa na visão do estrangeiro"
  1. Patricia Freire   14/07/14 • 23h44

    Parabéns! O post ficou Lindo!

    • fernanda   15/07/14 • 10h22

      Eu amoooo esse meu Brasil! Obrigada pelo carinho. Bjs

  2. Ana Paula   17/07/14 • 15h24

    Fê,

    Me arrepiei com o seu post… realmente nós sempre achamos que a grama do vizinho é melhor! Me fez repensar muitas coisas! Parabéns!

    • fernanda   21/07/14 • 11h26

      Temos muitas coisas boas também, é preciso ver isso. Obrigada pelo carinho! Bjs

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