02 mar 2016

O dia em que meu corpo mandou a fatura dos meus excessos

LIFESTYLE > Projeto #AlgoPorMim

Vai parecer papo de mãe mas eu realmente senti uma mudança de comportamento quando cheguei aos 30 anos (e já faz um tempo que estou nesta década mas abafa rs).

Se você sempre foi aquela pessoa que amava as aulas de Educação Física, que participava ativamente dos jogos e competições do colégio, que na adolescência achou demais fazer academia e assim chegou à fase adulta achando normal ter uma vida longe do sedentarismo e comendo o mais saudável possível, meus parabéns! Minha história é bem diferente da sua.

Lá em casa sempre se comeu de maneira saudável, não posso reclamar. Meus pais permitiam que a gente comesse besteiras quando saía mas em casa tudo era sempre muito natural: frutas diariamente, saladas, legumes e carboidratos, tudo muito bem equilibrado. Sou geração anos 80, onde se comia o que os adultos comiam e tinha que comer tudo sem fazer cara feia. Quem é dessa época entende o que digo. Não estou dizendo aqui que se você não cria o seu filho dessa forma você está errado. Nem mãe eu sou ainda. Estou apenas contando como foi a minha vida antes de pagar as próprias contas. Sabe como é, eu também cresci ouvindo “enquanto viver debaixo desse teto é assim que banda toca.”

Só que tirando a parte da alimentação na infância, nada mais era tão saudável assim. Eu nunca curti educação física, dava sempre uma desculpa para não participar de nada e fora isso eu tenho epilepsia e já contei em vídeo como aprendi a lidar. Hoje vejo que ela não impede uma vida esportiva e normal, mas naquela época meus pais e eu ainda não tínhamos aprendido a lidar com ela então o medo de convulsionar me jogou em uma bolha sedentária por muitos anos, a ponto de não ver necessidade alguma em fazer academia se eu não estava acima do peso. Santa ignorância.

Aí vieram os 20 anos. Não sei vocês mas se eu começo a relembrar meus 20 anos posso até me considerar uma heroína, alguém com super poderes. Só aos 20 anos consegui a façanha de comer sem engordar, de não ter culotes, do jeans entrar sem malabarismos. Aos 20 anos eu podia esquecer de passar o hidratante e todos os produtos de pele por anos e não ver nem a silhueta da ruga rindo de longe. As rugas nem davam as caras. Eu podia dormir tarde, conversar toda uma noite com amigas e levantar cedo no outro dia para trabalhar sem cansaço algum e já marcando a próxima saída. Eu podia acampar semanalmente sem sentir dores nas costas mesmo dormindo naqueles colchonetes miseráveis em espuma. Aliás, eu dormia em qualquer lugar, inclusive sentada. Eu podia tudo, inclusive me iludir de que meu corpo não cobraria a conta com juros e correção monetária num futuro próximo.

Aí eu cheguei aos 29 anos com uma grande oportunidade: mudar de país. E de repente, como se a ficha caísse (expressão que precisa urgentemente de uma atualização. Seria o que hoje? Download concluído com sucesso? rs), decidi que os 30 anos precisava de uma nova postura, um novo estilo de vida. Talvez pela pura empolgação devido a mudança de país ou porque sou dessas que gosta de coisas diferentes a cada tantos anos. Ainda não tinha nada decidido mas queria mudar. Só que uma coisa é querer mudar e a outra é se ver obrigada a isso.

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Quando eu cheguei ao Chile, justamente no dia em que fiz 30 anos, tudo mudou: o idioma, as pessoas, a comida, a cultura, a casa… Era tudo diferente. Entre tantas diferenças, foi ficando cada dia mais claro que meu sedentarismo não combinava com a forma como as pessoas levam seu estilo de vida aqui.

Eu pegava o metrô pra trabalhar e já ficava cansada, enquanto meus amigos íam de bicicleta, faziam academia no final do dia e no final de semana ainda marcavam de subir a Cordillera para alguma atividade esportiva. Eu ficava cansada só de ouvir.

Cheguei justamente no inverno, onde meu corpo só pedia comida calórica para se aquecer e na minha ânsia por provar tudo o que era diferente, por matar a saudade de casa somada a ansiedade de me adaptar o quanto antes, ganhei exatos 15kg em 8 meses. O clima é bem seco e a pele que já era seca praticamente trincou, somado ao fato de que eu não bebia quase nada de água.

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Bem, se eu queria uma mudança aos 30 anos, ficou bem claro que os excessos dos 20 resolveram esfregar na minha cara que, ou eu fazia algo por mim naquele momento e viveria feliz e com muito mais qualidade, ou continuaria vivendo feliz mas sem qualidade alguma para aproveitar a vida. E pela primeira vez, escolher a saúde não foi difícil, nem modinha, muito menos algo da boca pra fora.

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Reeduquei minha alimentação, perdi os 15kg e contei aqui como foi, inclusive compartilhei meus cardápios semanais na época. Entrei na academia, consegui amar (amar é muito melhor que gostar) as aulas de Body Pump, participei de uma corrida de 5kg (o que para mim foi uma verdadeira maratona) comprei uma bicicleta, passei a resolver tudo andando, criei o hábito de beber água e contei em vídeo as 11 doenças que eliminei com esse simples hábito.

DESEMBUCHA

Meu recente investimento na saúde foi reiniciar um acompanhamento especial com uma nutricionista. Não preciso de dieta e não fui ao consultório com essa intenção. Meu objetivo é aprender a comer bem: queria saber quais alimentos ajudam a regular meu humor, quais me dão mais disposição, quais me fazem descansar, o que devo comer diariamente para garantir uma qualidade de vida e como posso criar hábitos saudáveis que me permitam cometer excessos de vez em quando ao invés de viver de excessos e ser saudável quando dá.

Posso dizer que tem sido um dos melhores investimentos que já fiz e em breve farei um post/vídeo sobre isso . Hoje eu só quero te convencer de que não se tem 20 anos pra sempre e que embora seja algo óbvio, passamos muito tempo nessa ilusão. Vim tentar te convencer que ser fitness pode até ter virado modinha mas se não beira o fanatismo, mal é que não vai fazer. Vim te garantir que mais vale 5 minutos na academia que 30 no sofá. Vim te convidar a viver ao invés de apenas participar das melhores coisas da sua vida.

Há uma frase que diz que vida é aquilo que acontece enquanto você faz planos. Trazendo isso para este contexto, vida é tudo aquilo que está acontecendo com as pessoas que se movimentam, se cuidam e se alimentam bem, enquanto você apenas diz pra você mesmo que um dia fará parte disso.

Esqueça o corpo turbinado e ignore os perfis bombados que só te fazem pensar que você nunca chegará a ter um igual. Levante a bunda do sofá porque você precisa viver uma vida de energia e não pra seguir padrões estéticos. Por outro lado, querer ser gostosa ou turbinado não tem erro nenhum e se isso te motiva, use a motivação a favor de sua saúde. Mais vale um bem intencionado na esteira do que um iludido a gostoso debaixo do cobertor.

Acredite: você vai não apenas gostar dessa mudança mas viciar nela. Vai por mim!

 

*Fotos: Arquivo pessoal e banco de imagens

Fê La Salye
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Comentários
4 comentários em "O dia em que meu corpo mandou a fatura dos meus excessos"
  1. Petyane   02/03/16 • 19h04

    Parece q está falando diretamente pra mim!! Estou aqui no sofá lendo seu post! Sou preguiçosa para fazer atividades físicas. E chego do trabalho e vou direto para o sofá! Não gosto de academia, rs ta difícil neh!! Mas já cheguei nos 30 e sinto bem o efeito do meu sedentarismo! Obrigada pelas dicas e sua experiência nos motiva! Bju

    • Fê La Salye   14/03/16 • 15h39

      Petyane, é mesmo difícil mas o importante é ter força de vontade no primeiro mês. Depois disso vira hábito e você nem sente dificuldade mais. Vale a pena! Bjs

  2. Adriana Ricardo   03/03/16 • 09h01

    Fer, adorei o seu post, devemos priorizar a saúde e qualidade de vida.

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