14 jun 2018

O que meus 36 anos me ensinaram

LIFESTYLE > Resignifica

Parece que foi esses dias que escrevi o que os meus 30 anos me ensinaram e já estou aqui pra contar os aprendizados dos 36 anos, já que fiz aniversário no domingo passado.  Nem vou incluir na lista que aprendi que o tempo passa voando porque é evidente mas aprendi tanto nos últimos 6 anos e especificamente neste que precisava dividir com vocês.

(Comemorando os 36 em Puerto Varas, sul do Chile)

Não sei se é coisa apenas de mulher mas me deu uma sensação estranha comprovar que já passei dos 30, saí dos 35 e estou cada vez mais próxima dos 40. E há quem me diga que estou nova, em boa forma, que a vida está só começando e etc; mas ainda assim é estranho. Não dá pra negar que ao menos estatisticamente passar dos 35 é já ter vivido metade da expectativa de vida. UAU!

Um dos meus grandes aprendizados até aqui é que cada um de nós está vivendo o seu próprio tempo. Nem atrasados, nem adiantados, menos ainda estacionados. Cada um está no seu próprio tempo e é assim que tem que ser. Quando você cresce em uma sociedade que declaradamente ou de forma subliminar te diz o tempo todo que aos 30 anos você tem que estar no emprego dos sonhos, estável economicamente, casado com o amor da sua vida numa casa confortável com filhos e cachorros, entender isso evita um bocado de frustrações. É importante traçar metas e de alguma forma ter certas coisas em comum com as pessoas da mesma idade que você mas nada disso muda o fato de que a vida acontece de formas diferentes pra cada pessoa e ser grato com a sua jornada até aqui é se apropriar dessa vida maravilhosa que só você pode viver.

E esse mesmo aprendizado me levou a outro: está permitido mudar de ideias e planos quantas vezes quiser. Aos 28 anos experimentei pela primeira vez o que é trabalhar com o que se ama e ganhar um salário ok – entenda-se por ok um salário que não te faz alguém estabilizado antes dos 30 mas já permite fazer algo mais que pagar contas. E eis que aos 29 a vida dá um giro de 360 graus, me manda para o Chile aonde começo a trabalhar na minha área mas que nem por isso foi fácil. Eu estava diante de uma nova cultura de trabalho e de país, de um novo idioma, de uma nova forma de fazer o que fiz a vida toda, de um jeito novo de entender o que é um bom salário e bons benefícios nesse lugar e diante do desafio de voltar de vez em quando a fazer coisas que profissionalmente eu já tinha deixado em outra etapa mas que naquele momento como iniciante profissional em outra cultura; era preciso reviver. E eu amei porque me reinventei. Além disso conheci muitas pessoas que foram ainda mais agressivas que eu: aproveitaram esse novo país para mudar de carreira, para virar empreendedores, para trabalhar em casa durante 4 dias e ter 3 de final de semana. E aí vi que mudar de planos e ideias faz bem, inclusive para talvez comprovar que não ter mudado de planos era a melhor coisa. A vida é acerto e erro e só tem o resultado quem faz o teste.

Me considero uma pessoa desapegada de bens materiais relevantes, às vezes até sem muita ambição nesse sentido. Nunca fui das que planejou desde o 1º salário a compra do carro (aliás, nunca tive um carro meu mesmo e posso viver sem dirigir) ou que estabeleceu uma idade limite para a compra da casa, embora continuo achando que esse sim é um investimento necessário (e graças a Deus com o apoio e influência do meu marido já conseguimos esse sonho). No entanto, meus 36 anos abriram meus olhos para a importância de estar preparada para o inesperado. Todos chegamos aos 30 com a cabeça dos 20, onde se acredita de forma inconsciente que temos todo o tempo do mundo e que a saúde, energia e maravilhas da vida não tem fim. Com isso vamos pagando nossas diversões e deixando de investir em coisas que podem nos pegar de surpresa como a morte de uma pessoa querida, uma hospitalização de emergência, um desemprego aqui, um tratamento caríssimo ali… E aonde está aquela reserva financeira para nos salvar de um grande abismo? A ingenuidade dos 20 comeu.

Aprendi que aquele sonho que também é o do seu amigo vai percorrer um caminho diferente quando chegar a sua vez. No meu caso, sempre tive o sonho de ser mãe. Levo 7 anos nisso e no meio do percurso já teve muitas tentativas, diagnóstico de infertilidade, cirurgia, fertilização in vitro, gravidez e aborto. Enquanto isso várias amigas casaram bem depois e engravidaram antes, outras engravidaram sem querer ou com zero esforço e  algumas já possuem mais filhos do que imaginaram ter um dia. Este meu sonho continua correndo contra o tempo. Em compensação, outros sonhos que já realizei estas mesmas amigas estão no “perrengue” há anos para conquistar. Seu sonho vai se realizar mas ele não é engessado. A fórmula mágica que serviu ao outro vai ter que se transformar para funcionar em você e é exatamente isso que vai agregar experiências valiosas à sua vida.

Nestes 36 anos eu já quis ganhar o mundo, conhecer muita gente, ter muitos contatos. Posso dizer que consegui e isso me fez muito feliz. Mas hoje estou diante de uma Fernanda mais intimista e seletiva, onde o menos é mais. Atualmente prezo muito mais aqueles amigos que posso contar nos dedos de uma única mão e passar mais tempo com meu marido e meus pais se tornou a coisa mais importante. Além disso, decidir quem fica e quem sai do meu convívio já não é algo doloroso e isso não me faz insensível, me faz alguém que já não quer mais sofrer ou perder tempo com pessoas que não me incluem em suas prioridades.

E por último, aprendi a ser prática, a ter no coração, na mala e na vida apenas o necessário pra ser feliz. Sem perceber acumulamos pesos, obrigações, conveniências e satisfações que só nos levam a viver em padrões alheios e nos distanciam de quem somos. Levo comigo o que me faz feliz, o que facilita meus dias e me trazem um real sentido.

A verdade é que eu continuo aprendendo, questionando, agradecendo, experimentando. Me assusta “mudar de fase no jogo” mas eu gosto demais da vida para querer estacionar. Que venham os aprendizados dos 40 anos. Sem pressa, isso sim.

 

Fê La Salye
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Comentários
3 comentários em "O que meus 36 anos me ensinaram"
  1. Eliane   14/06/18 • 19h31

    Fe… que texto maravilhoso! Simplesmente me identifiquei muito com os “questionamentos” que ainda assolam minha mente e coração. Com certeza vou guarda-lo comigo, pois aqui tem lições importantes para pensarmos. Obrigada por compartilhar conosco. Tenho certeza que aprendi algo a mais hoje. Bjs

    • Fê La Salye   14/06/18 • 21h25

      Que bom que gostou! Acho importante sempre se questionar, refletir e mudar. Bjs

      • Juliana Galvao   15/06/18 • 09h28

        Excelente texto! Cada fase um desafio. Eu acabo de fazer 31 e ainda nao sei oq amo fazer… Me sinto bem perdida com relacao a minha vida profissional, mas enquanto isso vou trabalhando e conquistando oq posso. E acho que nunca eh tarde para me redescobrir, isso sim. Tomara que esse pensamento nunca mude. Um abraco e feliz 36, Fe.

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